domingo, 6 de setembro de 2015

Os riscos que trazia Vieira quando veio para o Benfica.


O presidente em exercício, LFV, e alguns benfiquistas acenam com o fantasma de Vale e Azevedo quando se referem a Rangel ou a qualquer outro candidato a presidente. 
Mas pergunto: traz mais riscos eleger Rangel do que quando se elegeu Vieira pela primeira vez?
Comecemos pelo passado recente de Vieira, antes do Benfica. O Alverca.
"LFV iniciou o seu trajecto no Mundo do Futebol no Alverca FC, como presidente, conseguindo através de boas relações com os três grandes (dos quais era sócio), foi especialmente através do Benfica, com o projecto clube satélite que catapultou o Alverca FC para a 1ª divisão
No ano em que o Alverca sobe começaram as relações desportivas com o FC Porto, traduzidas na recepção de vários atletas a título de empréstimo (Ricardo Carvalho, entre outros), intermediação na transferência de Ovchinnikov para o FC Porto e as negociações de Cajú e Duda.

Em Maio de 2001 dá-se a misteriosa transferência de Mantorras para o Benfica, por 10 milhões de euros, verba que associada aos patrocínios e receitas de transmissões televisivas seria mais que suficiente para o Alverca se manter largos anos no futebol, cenário que não veio a acontecer, já que o Alverca cessou o seu futebol profissional em Maio de 2005.

O Alverca desce à 2ª divisão de honra e em Maio de 2001 LFV deixa os destinos do Alverca FC entregues ao seu vice-presidente Manuel Bugarim, seguindo Mantorras para a Luz passando a fazer parte da vida desportiva do Benfica, assumindo então na altura funções de director desportivo do então presidente Manuel Vilarinho. No final dessa época do seu primeiro ano como director desportivo saem directamente para o FC Porto, Maniche e Jankauskas, ao passo que via Varzim transferem-se Jorge Ribeiro, Pepa e Rui Baião que na altura eram enormes promessas do futebol português.
" - Tirado daqui.
Dizia Manuel Bugarim em 2001, sucessor de Vieira no Alverca quando este último era ainda accionista da SAD: 
"Um dia, quando se lembrarem do Luís Filipe Vieira em Alverca, todos vão recordar-se do muito trabalho que fez. Saiu, mas é um grande amigo do Alverca. Antes de assumir os cargos de responsabilidade no clube ribatejano já era benfiquista, mas mantém a sua ligação a este clube como sócio e accionista da SAD. É gratificante para o Alverca ter trabalhado com pessoas como Jesualdo Ferreira, que é um grande profissional, e Luís Filipe Vieira, um grande benfiquista", disse Manuel Bugarim.
António Fernandes, presidente demissionário do Alverca em 2009 e que estava em funções desde 2002, disse em entrevista, da qual retiro alguns excertos:
"Esteve mais de vinte anos ligado ao Futebol Clube de Alverca (FCA). Depois da saída de Luís Filipe Vieira, assumiu a direcção do clube ribatejano em 2002, com uma dívida de dois milhões e quinhentos mil euros. Sete anos depois, António Manuel Fernandes demite-se e deixa nos cofres do Alverca 726 mil euros. Em entrevista a O MIRANTE fala das razões que o levaram a pedir a demissão de presidente da direcção, da situação financeira e do futuro do clube e de Luís Filipe Vieira.
-----
Tirei o clube de uma falência anunciada. Com a falência da Sociedade Anónima Desportiva (SAD), deixou de se poder praticar futebol.
-----
O que esteve na origem da decisão de pedir a demissão?
Duas situações. A não assinatura de uma acta, por parte do presidente da assembleia-geral, Jorge Barroso, num negócio de 500 mil euros, referente a uma parcela de três mil metros que temos para vender. O negócio foi aprovado na última assembleia-geral de 8 de Junho, com 34 votos a favor e um contra. Chegados a Julho, o presidente da assembleia-geral ainda não tinha assinado.
Já tinham comprador?
Já. À Imocochão. (Luís Filipe Vieira é o sócio maioritário).
-----
Qual é a situação financeira do clube?
Herdei o Alverca endividado em mais de 500 mil contos (dois milhões e meio de euros) fora os juros. Deixo o clube com dinheiro nos cofres. O Alverca tem, como qualquer empresa, dívidas correntes. Talvez 125 mil euros. Mas não tem nenhuma acção de penhora nem nenhuma acção em tribunal. 
-----
Aceitou o convite de Luís Filipe Vieira (LFV) para lhe suceder no cargo de presidente. Sabia da situação do Alverca?
Como agi de boa fé, na, altura não tive o cuidado de ir ver a situação. Só me apercebi quando, logo a seguir a SAD entra no descalabro que é público.
Luís Filipe Vieira é responsável pela situação do Alverca?
Se fosse o presidente quando foi deliberado disputar as ligas profissionais, não tinha aceite de maneira nenhuma.
-----
A saída do LFV foi premeditada, sabendo o que ia acontecer no Alverca?
(Silêncio) Só lhe posso dizer o que ele me disse na altura. Que era incompatível as responsabilidades que ia desempenhar no Benfica com a manutenção da presidência quer do FCA quer do Alverca Futebol SAD. E eu acreditei nisso.
E hoje acredita?
Não. De maneira nenhuma. Nós devíamos ter uma secção de ginástica com trampolins e não temos. O Alverca serviu de trampolim de lançamento de determinada pessoa.
Luís Filipe Vieira?
Evidentemente.
Noto uma certa mágoa nas suas palavras…
Se perdesse 200 mil euros ficava com um sorriso nos lábios?
Está a referir-se ao quê?
Ao meu dinheiro que deixei no Alverca para que o clube não caísse no fosso em que estava. Se saísse tinha caído. Não tinha hipóteses. Era outro Vilafranquense."
 
 
 
"No sábado, 17 de Setembro, o FC Alverca distinguiu os seus sócios mais antigos e convidou os antigos presidentes a estarem presentes. António Fernandes, Manuel Ribeiro, João Coelho e Ramiro Gonçalves ocuparam os bancos da frente. Carlos Espanhol e Hélder Vieira informaram que não podiam aparecer por motivos profissionais. Albertino Pires compareceu no jantar de convívio. Luís Filipe Vieira, actual presidente do Sport Lisboa e Benfica, foi o único que não respondeu ao convite.
-----
A maioria dos sócios e adeptos do clube recorda a passagem pela primeira liga como o feito mais importante da história do Alverca. Uma época dourada onde o dinheiro parecia não ser problema e os sócios podiam ver jogar no relvado jogadores como Deco, Maniche, Yannick, Ricardo Carvalho, Kulkov, Ovchinnikov, Hugo Leal, Manuel Cardoso, Mantorras, Marco Caneira, Nuno Assis, Chiquinho Conde, Akwá ou Paulo Santos. Muitos deles emprestados por outros clubes nacionais e outros adquiridos por uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD) que hoje acumula dívidas próximas dos dois milhões de euros.  
-----
As contas do clube estão equilibradas. Devemos perto de 70 mil euros. As dívidas maiores eram da SAD, não do clube. A SAD está completamente fora da situação geral do Alverca. Está parada, não está insolvente mas está parada”, refere Fernando Orge, presidente da direcção do clube ao nosso jornal.
-----
Para Rui Gomes, um dos sócios do Alverca, o facto de Filipe Vieira ter esquecido o clube “é uma prova de que apenas o usou para promoção pessoal”. Outro sócio, Luís Marques, lamenta a atitude do ex-dirigente. “Tenho alguma mágoa porque quando o clube teve dificuldades o Luís Filipe Vieira poderia ter aparecido mais e ajudado o clube e não o fez. Foi um presidente que marcou o clube e numa altura difícil devia ter-se aproximado mais e ser solidário”, defende.
Para António Fernandes, antigo presidente do clube, “as acções ficam com quem as pratica” e confessa que a história acabará por julgar o actual presidente dos encarnados. “Será julgado pelos sócios e pela sociedade. Muita gente esquece-se que haverá um futuro onde se poderá pagar todo o mal que se fez”, afirmou à margem da sessão solene."
A situação do Alverca era boa, segundo Vieira e o seu homem Manuel Bugarim.
A verdade era outra, conforme os que se seguiram e que a queda abrupta do Alverca comprovou.
Luis Filipe Vieira trazia com ele o historial de amizade com Pinto da Costa, negócios com o FC Porto com alguns deles a servirem de lança contra o Benfica, sócio do FCP e do SCP.
Festejos de golos do Porto no camarote presidencial das Antas que tanta gente testemunhou. 
A esse peso acrescentou a amizade com Joaquim Oliveira, Fernando Gomes e António Salvador, conhecidos que são como grandes amigos do Benfica.

Pergunto eu, na minha qualidade de adepto e sócio do clube:

Ainda têm a lata de vir falar nos riscos de eleger Rangel ou qualquer outro que seja?
 
 
Fonte da Notícia: Geração Benfica

domingo, 5 de julho de 2015

Trafulhíce "à la" Portuguesa

Foi recentemente revelado um relatório americano sobre Portugal, que se tem mantido em segredo até à data. Nesse mesmo relatório Portugal é apontado como “O país que compra brinquedos caros e inúteis” por “orgulho”. Esse relatório tinha sido divulgado por um conhecido jornal na sua versão online, mas foi recentemente apagado (vamos lá saber porquê). E foi-nos agora revelado pelo famoso site Wikileaks.
SABIA QUE O MINISTÉRIO DA DEFESA ESTÁ ISENTO DE CONCURSOS PÚBLICOS? LIVRE PARA FAZER AS SUAS COMPRAS MILIONÁRIAS A QUEM DER MAIS LUVAS? E NÃO A QUEM FAZ O PREÇO MAIS JUSTO? TUDO PARA SALVAGUARDAR O SECRETISMO DAS OPERAÇÕES DO MINISTÉRIO?
O RESULTADO É O QUE SE TEM VISTO. AS COMPRAS MAIS ESCANDALOSAS, MENOS TRANSPARENTE E MAIS MEGALÓMANAS DO ESTADO, TÊM TIDO ORIGEM NESTE MINISTÉRIO. O CASO DOS SUBMARINOS, DOS PANDUR, DOS TORPEDOS, DOS HELICÓPTEROS, ETC ETC ETC, A LISTA É INTERMINÁVEL, MUITOS DELES EM INVESTIGAÇÃO. OUTROS JÁ PROVADOS NA FONTE ESTRANGEIRA QUE HOUVE LUVAS, MAS EM PORTUGAL NADA SE FAZ.
MAIS UMA VEZ O OPORTUNISMO DITA A LEI QUE POR DECISÃO DELES, OS BENEFICIA A ELES E LESA O INTERESSE NACIONAL. O CONCURSO PÚBLICO É UMA DAS REGRAS BÁSICAS, PARA TRAVAR ALGUMA CORRUPÇÃO MAS OS QUE NOS DESGOVERNAM NÃO GOSTAM DESSAS REGRAS?

GASTAR DINHEIRO IMPRUDENTEMENTE

O IMPORTANTE É FAZER MUITAS COMPRAS E DE MUITOS MILHÕES MESMO QUE INÚTEIS, SERVIRÃO ESSAS COMPRAS PARA FAZER ENTRAR DINHEIRO EM PARTIDOS E EM CONTAS PRIVADAS DOS ENVOLVIDO? COMPRAM INUTILIDADES, SUCATA, USADOS, AVARIADOS, E ATÉ BRINQUEDOS PARA OS QUAIS NÃO POSSUÍMOS DINHEIRO PARA O COMBUSTÍVEL, PARA A MANUTENÇÃO NEM RECURSOS HUMANOS TÉCNICOS.
EM PORTUGAL POUCOS SABEM, MAS QUEM NEGOCEIA COM OS NOSSOS (DES)GOVERNANTES, SABE ALGUMAS COISAS QUE TODOS DEVERÍAMOS SABER.
O WIKILEAKS REVELOU UM RELATÓRIO CONFIDENCIAL QUE DESMASCARA ALGUMAS TRAMÓIAS DO MINISTÉRIO DA DEFESA. RETIRANDO ALGUMAS IMPRECISÕES, FICAM ALGUMAS REVELAÇÕES.

WASHINGTON ARRASA NEGÓCIOS DO MINISTÉRIO DA DEFESA

RELATÓRIO CONFIDENCIAL:
O EMBAIXADOR AMERICANO EM LISBOA ESCREVEU UMA APRECIAÇÃO IMPLACÁVEL SOBRE OS SUBMARINOS, AS FRAGATAS E OS TANQUES EM QUE PORTUGAL GASTOU MILHÕES. O PEQUENO PARÁGRAFO, A MEIO DO TELEGRAMA DE SEIS PÁGINAS, RESUME A COISA ASSIM:
“NO QUE DIZ RESPEITO A CONTRATOS DE COMPRAS MILITARES, AS VONTADES E AÇÕES DO MINISTÉRIO DA DEFESA PARECEM SER GUIADAS PELA PRESSÃO DOS SEUS PARES E PELO DESEJO DE TER BRINQUEDOS CAROS. O MINISTÉRIO COMPRA ARMAMENTO POR UMA QUESTÃO DE ORGULHO, NÃO IMPORTA SE É ÚTIL OU NÃO. OS EXEMPLOS MAIS ÓBVIOS SÃO OS SEUS DOIS SUBMARINOS E 39 CAÇAS DE COMBATE (APENAS 12 EM CONDIÇÕES DE VOAR).”
O TOM NÃO VARIA MUITO NOS OUTROS PARÁGRAFOS. O QUE VARIA É O NÍVEL DO DETALHE. CRUEL E DESPOJADO, MAS TAMBÉM COMPROMETIDO COM INTERESSES DIRECTOS AMERICANOS E CONTENDO ERROS FACTUAIS, O TELEGRAMA ENVIADO EM 2009 PARA WASHINGTON PELO ENTÃO EMBAIXADOR DOS EUA EM LISBOA, THOMAS STEPHENSON, NÃO DEVERIA TER CHEGADO ÀS MÃOS DE UM ESTRANGEIRO. TEM A CLASSIFICAÇÃO DE NOFORN, “NO FOREIGNERS”. TALVEZ POR ISSO SEJA TÃO DECLARADAMENTE DEPRECIATIVO PARA PORTUGAL, PARA AS ALTAS CHEFIAS MILITARES E PARA OS ÚLTIMOS GOVERNOS QUE TÊM ESTADO NO PODER.
O TELEGRAMA (EM BOA VERDADE, UM RELATÓRIO) ANALISA O QUE SE PASSA DENTRO DO MINISTÉRIO, TENTANDO EXPLICAR PORQUE É QUE AS COISAS, NA PERSPECTIVA AMERICANA, CORREM TÃO MAL. O TÍTULO DIZ TUDO: O QUE HÁ DE ERRADO NO MINISTÉRIO DA DEFESA PORTUGUÊS?
EMBAIXADOR DOS EUA EM LISBOA DE NOVEMBRO DE 2007 ATÉ 2009, DEPOIS DE UMA LONGA CARREIRA COMO EMPRESÁRIO EM SILICON VALLEY, STEPHENSON ESCREVE:
“PORTUGAL SOFRE DE UM COMPLEXO DE INFERIORIDADE E DA PERCEPÇÃO DE SER ECONÓMICA, POLÍTICA E MILITARMENTE MAIS FRACO DO QUE OS SEUS ALIADOS.”
NA TESE AMERICANA, O GOSTO PELOS “BRINQUEDOS CAROS” TEM A VER COM ISSO. STEPHENSON APONTA O CASO DOS SUBMARINOS QUE CUSTARAMMIL MILHÕES DE EUROS E QUE, SEGUNDO ELE,NÃO SERIAM PRECISOS: “COM 800 QUILÓMETROS DE COSTA E DOIS ARQUIPÉLAGOS DISTANTES PARA DEFENDER, OS DOIS SUBMARINOS ALEMÃES COMPRADOS EM 2005 NÃO SÃO O INVESTIMENTO MAIS SENSATO. OS SUBMARINOS NÃO TÊM UMA MISSÃO FORMAL ATRIBUÍDA E FALTAM-LHES OS MEIOS PARA FAZER PATRULHAS SEM OBJECTIVO. PORTUGAL COMPROU OS SUBMARINOS MAS NÃO ENCOMENDOU SISTEMAS DE MÍSSEIS, O QUE SIGNIFICA QUE NÃO TERÃO CAPACIDADE DE ATAQUE MESMO QUE TENHAM UMA MISSÃO.”
FAZENDO ECO DA POLÉMICA DISCUSSÃO PÚBLICA SOBRE O ASSUNTO, O EMBAIXADOR TOMA PARTIDO MAS DEMONSTRA ALGUM DESCONHECIMENTO. COM UMA ÁREA MARÍTIMA 20 VEZES MAIOR DO QUE O SEU TERRITÓRIO TERRESTRE, HÁ MUITO QUE A DOUTRINA MILITAR PORTUGUESA PREVÊ UMA MISSÃO FORMAL PARA OS SUBMARINOS. ALÉM DISSO, ESTES ESTÃO EQUIPADOS COM TORPEDOS, MINAS E UM SISTEMA DE MÍSSEIS HARPOON (IRONICAMENTE, FABRICADOS NOS EUA).
MAS O TELEGRAMA VAI MAIS LONGE. O DINHEIRO GASTO NOS SUBMARINOS FALTA NOUTROS LADOS.“PORTUGAL TEM POUCOS NAVIOS-PATRULHA OPERACIONAIS PARA DEFESA DO LITORAL E PARA DAR CONTA DO NARCOTRÁFICO, IMIGRAÇÃO E PESCA ILEGAIS.” E AVANÇA, QUANTO À FORÇA AÉREA:“PORTUGAL TEM ALGUNS CAÇAS F-16 ANTIGOS, MAS APENAS UM C-130 EM CONDIÇÕES DE TRANSPORTAR MILITARES E EQUIPAMENTO.”
O PAÍS TEM DE FACTO UM “EXCESSO” DE CAÇAS (39, DOS QUAIS NOVE ESTÃO PARA VENDA), TODOS COMPRADOS AOS EUA MAS, AO CONTRÁRIO, POSSUI SEIS E NÃO APENAS UM C-130. O EMBAIXADOR ABORDA DEPOIS O DELICADO TEMA DAS COMPRAS, CONSIDERANDO QUE A OPÇÃO PORTUGUESA DE “COMPRAR EUROPEU”(EM DETRIMENTO DOS EQUIPAMENTOS AMERICANOS) LHE É FREQUENTEMENTE IMPOSTA PELOS SEUS PARCEIROS DA UNIÃO. REPORTANDO AO CASO DAS FRAGATAS HOLANDESAS ADQUIRIDAS EM 2006 POR DECISÃO DO ENTÃO MINISTRO DA DEFESA, LUÍS AMADO, EM DETRIMENTO DAS AMERICANAS OLIVER HAZARD PERRY, QUE HAVIAM SIDO ESCOLHIDAS POR PAULO PORTAS, STEPHENSON DIZ QUE PORTUGAL O FEZ “POR PRESSÃO DOS ESTADOS EUROPEUS”.
“O MINISTÉRIO DA DEFESA OPTOU POR GASTAR MAIS DE 300 MILHÕES DE EUROS EM FRAGATAS HOLANDESAS USADAS. AS AMERICANAS TERIAM EXIGIDO APENAS CERCA DE 100 MILHÕES DE EUROS NA SUA MODERNIZAÇÃO E APOIO LOGÍSTICO”, ESCREVE O DIPLOMATA, ACUSANDO DE FALTA DE CREDIBILIDADE O “ESTUDO” QUE SERVIU DE BASE À DECISÃO, POIS COMPARAVA “AS FRAGATAS AMERICANAS USADAS COM FRAGATAS HOLANDESAS NOVAS, SENDO QUE ESTAS TINHAM MAIS DE 15 ANOS”.
NA REALIDADE, AS PERRY TINHAM MAIS 20-25 ANOS DO QUE AS HOLANDESAS E, NUNCA FOI FEITA UMA ESTIMATIVA DO SEU CUSTO DE MODERNIZAÇÃO “POR SER UMA VERDADEIRA DOR DE CABEÇA A SUA EVENTUAL SUSTENTAÇÃO”. AS HOLANDESAS CUSTARAM 248 MILHÕES.
STEPHENSON ACRESCENTA QUE O MESMO TIPO DE SITUAÇÃO (QUE CHAMA DE “CONTABILIDADE CURIOSA”) OCORREU COM OS HELICÓPTEROS-PATRULHA, “UMA NECESSIDADE CRÍTICA” PARA PORTUGAL. MAIS UMA VEZ, OS SIKORSKY AMERICANOS FORAM PRETERIDOS EM FAVOR DOS EH-101 EUROPEUS, MAIS BARATOS, MAS APENAS PORQUE “AS PEÇAS SOBRESSELENTES E A MANUTENÇÃO NÃO FORAM INCLUÍDAS NA PROPOSTA EUROPEIA. SEMANAS DEPOIS DE ENTRAREM AO SERVIÇO, OS EH-101 FICARAM PARADOS POR FALTA DE PEÇAS. OS VELHOS PUMAS COM 20 ANOS QUE OS EH-101 DEVIAM SUBSTITUIR TIVERAM DE VOLTAR A VOAR”.
O EMBAIXADOR FOI CERTEIRO. DECIDIDOS AINDA NO TEMPO DE RUI PENA, O ÚLTIMO MINISTRO DA DEFESA DE ANTÓNIO GUTERRES, ESTES HELICÓPTEROS FORAM ADQUIRIDOS SEM UM EFECTIVO CONTRATO DE MANUTENÇÃO. JÁ O MESMO NÃO SE PODE DIZER RELATIVAMENTE À COMPRA À HOLANDA DE 36 TANQUES LEOPARD A6. “OS TANQUES SÃO BONS, MAS PORTUGAL NÃO TEM DOUTRINA OPERACIONAL, NEM CADEIA DE MANUTENÇÃO NEM PEÇAS SOBRESSALENTES. ALÉM DISSO, A AQUISIÇÃO REPRESENTOU UM AFASTAMENTO DO OBJECTIVO DECLARADO DO EXÉRCITO EM TORNAR-SE UMA FORÇA MAIS EXPEDICIONÁRIA, PROJETÁVEL E LIGEIRA”, ESCREVE.
O QUE ACONTECEU DEPOIS O EMBAIXADOR JÁ NÃO CONTA. O EXÉRCITO PORTUGUÊS ADAPTOU-SE AOS NOVOS “BRINQUEDOS” E GANHOU COMPETÊNCIAS NOVAS COMO FORÇA EXPEDICIONÁRIA. MAS TRÊS QUARTOS DOS LEOPARD ESTÃO HOJE ENCOSTADOS PORQUEFALTA O DINHEIRO PARA COMPRAR PEÇAS DE SUBSTITUIÇÃO. E OS TANQUES NUNCA SAÍRAM DO PAÍS.

LÓBI RENDEU 100 MILHÕES.

O MINISTÉRIO DA DEFESA ESCOLHEU O GIGANTE NORTE-AMERICANO LOCKHEED MARTIN PARA UM CONTRATO DE 100 MILHÕES DE EUROS, DEPOIS DE O GOVERNO DOS EUA TER FEITO LÓBI JUNTO DO ENTÃO MINISTRO SOCIALISTA NUNO SEVERIANO TEIXEIRA A FAVOR DO MAIOR GRUPO DE AERONÁUTICA MILITAR. COM O TÍTULO “RECENT COMMERCIAL SUCESS STORIES” (“HISTÓRIAS RECENTES DE SUCESSO COMERCIAL”), UM TELEGRAMA ENVIADO PARA WASHINGTON PELO EMBAIXADOR THOMAS STEPHENSON, 2008, RELATA QUE NO INÍCIO DE 2007 UM ADJUNTO COMERCIAL E O CHEFE DO DEPARTAMENTO DE COOPERAÇÃO MILITAR DA EMBAIXADA AMERICANA EM LISBOA ENCONTRARAM-SE COM O DIRECTOR DE UMA DAS UNIDADES DA LOCKHEED MARTIN, MICHAEL MEYER.
NO ENCONTRO, MEYER CONTOU QUE ESTAVA A TENTAR GARANTIR HÁ ANOS UM CONTRATO DE 135 MILHÕES DE DÓLARES (100 MILHÕES DE EUROS) PARA A RECONVERSÃO DOS CINCO AVIÕES P-3C ORION QUE A FORÇA AÉREA PORTUGUESA TEM PARA FAZER CONTROLO MARÍTIMO, MAS A MUDANÇA DE GOVERNO EM 2005 (DO PSD PARA O PS) “MANTEVE A PROPOSTA NUM LIMBO”. ALÉM DISSO, A LOCKHEED TINHA INFORMAÇÕES QUE UMA CONCORRENTE ESPANHOLA, A CASA EADS, “ESTAVA A FAZER TRABALHO DE BASTIDORES JUNTO DO MINISTÉRIO DA DEFESA PARA GANHAR O CONCURSO”.
UMA CARTA FOI ELABORADA EM CONJUNTO POR VÁRIOS DEPARTAMENTOS EM LISBOA E EM WASHINGTON E FOI ASSINADA POR ALFRED HOFFMAN, EMBAIXADOR QUE ANTECEDEU STEPHENSON EM LISBOA, SENDO ENVIADA AO MINISTRO A 2 DE MAIO DE 2007. QUATRO MESES DEPOIS, A 6 DE SETEMBRO, A LOCKEED GANHOU O CONTRATO.

UM PAÍS DE GENERAIS SENTADOS

HÁ UMA CULTURA NAS FORÇAS ARMADAS EM QUE QUASE SEMPRE, A MELHOR DECISÃO QUE SE PODE TOMAR É NÃO TOMAR DECISÕES, DIZEM OS AMERICANOS. ATÉ PARA UMA BANDA TOCAR É PRECISO AUTORIZAÇÃO DE TOPO.
A VISÃO DA DIPLOMACIA AMERICANA SOBRE A GESTÃO E O EXERCÍCIO DO PODER DENTRO DAS FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS É TUDO MENOS DIPLOMÁTICA, PELO QUE SE PODE LER NUM RELATÓRIO ASSINADO PELO EMBAIXADOR THOMAS STEPHENSON E QUE CONSTA DE UM EXTENSO TELEGRAMA JÁ CITADO NAS PÁGINAS ANTERIORES, ENVIADO A 5 DE MARÇO DE 2009 PARA WASHINGTON COM O TÍTULO “O QUE HÁ DE ERRADO COM O MINISTÉRIO DA DEFESA PORTUGUÊS?”
O DOCUMENTO INCLUI UM DIAGNÓSTICO DESASSOMBRADO SOBRE UMA ESTRUTURA “RÍGIDA” E INCAPAZ DE TOMAR DECISÕES. “A IMAGEM DE GENERAIS SENTADOS SEM FAZEREM NADA NÃO É UMA MERA ALEGORIA”. “OS MILITARES TÊM UMA CULTURA DE STATUS QUO EM QUE AS POSIÇÕES-CHAVE SÃO PREENCHIDAS POR CARREIRISTAS QUE EVITAM ENTRAR EM CONTROVÉRSIAS, EM VEZ DE SEREM PREENCHIDAS COM PENSADORES CRIATIVOS, PROMOVIDOS PELO SEU DESEMPENHO”, ESCREVE O EMBAIXADOR AMERICANO.
ESPERA O TEMPO SUFICIENTE, DIZEM-NOS OS OFICIAIS, E CHEGARÁS A CORONEL OU A GENERAL. ESTA CULTURA FOMENTA UM PENSAMENTO ADVERSO A CORRER RISCOS E UM CORPO DE OFICIAIS SUPERIORES PARA QUEM ADIAR UMA DECISÃO É QUASE SEMPRE A MELHOR DECISÃO”.
STEPHENSON EXPLICA O QUE QUER DIZER COM UM CASO: “PEDIMOS AO COMANDANTE DA ACADEMIA MILITAR PORTUGUESA SE A BANDA DA ACADEMIA PODIA ACTUAR NUMA RECEPÇÃO DA EMBAIXADA AMERICANA. O GENERAL DE DUAS ESTRELAS RESPONDEU QUEISSO TERIA DE SER APROVADO PELO CHEFE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO”.
O PROBLEMA NÃO ESTÁ NA FALTA DE RECURSOS HUMANOS. “COMO A MAIORIA DOS ALIADOS DA NATO, PORTUGAL ENCONTRA-SE ABAIXO DO PADRÃO OFICIAL QUE DETERMINA 2% DO PIB PARA O ORÇAMENTO DE DEFESA. PORTUGAL ESTÁ NOS 1,3% E GASTA ESSE DINHEIRO DE FORMA IMPRUDENTE.PORTUGAL TEM MAIS GENERAIS E ALMIRANTES POR SOLDADO DO QUE QUASE TODAS AS OUTRAS FORÇAS ARMADAS MODERNAS: 1 PARA CADA 260 SOLDADOS. EM COMPARAÇÃO, OS ESTADOS UNIDOS TÊM UM RÁCIO DE 1 PARA CADA 871 SOLDADOS”. MAIS, EXISTEM AINDA “170 GENERAIS ADICIONAIS QUE RECEBEM O ORDENADO POR INTEIRO ENQUANTO SE MANTÊM INACTIVOS NA RESERVA”.

QUALQUER UM PODE SER UM OBSTÁCULO

“UM COROLÁRIO DA REGRA DE QUE NINGUÉM TOMA DECISÕES DE COMANDO”, CONTINUA O EMBAIXADOR, “É QUE QUALQUER PESSOA PODE BLOQUEÁ-LAS. ULTRAPASSAR ESTES OBSTÁCULOS EXIGIRIA QUE UM OFICIAL VIESSE A PÚBLICO DESAFIAR A OPOSIÇÃO INTERNA, NUM ACTO RARAMENTE VALORIZADO”.
O CENÁRIO DE BLOQUEIO INTERNO É AGRAVADO PELA SEGREGAÇÃO QUE EXISTE ENTRE OS TRÊS RAMOS DAS FORÇAS ARMADAS E O ESTADO-MAIOR-GENERAL. O TELEGRAMA REFERE-SE AOS RAMOS (EXÉRCITO, MARINHA E FORÇA AÉREA) COMO “FEUDOS”. “O CHEFE DO ESTADO-MAIOR-GENERAL DAS FORÇAS ARMADAS NÃO TEM ORÇAMENTO NEM AUTORIDADE SOBRE OS CHEFES DOS RAMOS, QUEREGULARMENTE IGNORAM AS ORDENS DELE”.
“A NECESSIDADE DE CONSENSO NA ESTRUTURA MILITAR”, DIZ STEPHENSON, “INVIABILIZA MUITAS VEZES OS PLANOS DO GOVERNO”, E DÁ UM EXEMPLO: “NAS REUNIÕES DA COMISSÃO BILATERAL LUSO-AMERICANA, ELEMENTOS DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS E DO MINISTÉRIO DA DEFESA TÊM IMPLORADO PARA QUE COOPEREMOS EM PROGRAMAS DE FORMAÇÃO MILITAR NA ÁFRICA LUSÓFONA. NÓS CONCORDÁMOS, MAS SÓ UM DOS 16 PROJECTOS DE COOPERAÇÃO TRILATERAL PROPOSTOS POR NÓS, A PEDIDO DO GOVERNO PORTUGUÊS, TEVE A PARTICIPAÇÃO DE PORTUGAL (UM ÚNICO SARGENTO ASSOCIADO À FORMAÇÃO DO EXÉRCITO AMERICANO SOBRE DESMINAGEM NA GUINÉ-BISSAU)”.
SEGUNDO O TELEGRAMA, HÁ FRANJAS NO MINISTÉRIO DA DEFESA QUE TÊM UM SENTIMENTO DE POSSE EM RELAÇÃO À ÁFRICA LUSÓFONA E NÃO QUEREM O ENVOLVIMENTO DE OUTROS PAÍSES EM PROGRAMAS MILITARES COM AS EX-COLÓNIAS.

DEVEMOS FAZER O TRABALHO INTERNO DOS PORTUGUESES

A PAR DA RADIOGRAFIA NEGATIVA SOBRE AS FORÇAS ARMADAS, O TELEGRAMA ESTABELECE LINHAS ORIENTADORAS DE COMO A DIPLOMACIA NORTE-AMERICANA DEVE ABORDAR O MINISTÉRIO DA DEFESA, E TAMBÉM O GOVERNO PORTUGUÊS EM GERAL. O PRINCÍPIO BÁSICO, PARA O EMBAIXADOR, PASSA POR INCENTIVAR LISBOA SEMPRE QUE POSSÍVEL. “NUNCA DEVERÍAMOS PERDER UMA OPORTUNIDADE PARA ENCORAJAR O GOVERNO PORTUGUÊS, PORQUE O GOVERNO PORTUGUÊS NUNCA PERDERÁ UMA OPORTUNIDADE DE PROCRASTINAR (ADIAR)”.
PARA ISSO, STEPHENSON ACREDITA NUMA TÁCTICA DE INFILTRAÇÃO NAS ESTRUTURAS INTERNAS DO PODER: “DEVEMOS ENVOLVER-MO-NOS CEDO E FREQUENTEMENTE E ESTARMOS PRONTOS PARA FAZERMOS AS CONSULTAS INTERNAS POR ELES DENTRO DO MINISTÉRIO DA DEFESA”.
 
Fonte da Notícia