sexta-feira, 10 de maio de 2013

‘Pidá’ apela à violência dos Super Dragões




Nas ruas do Porto cometia assaltos. Agredia brutalmente jovens e roubava-lhes todos os bens. Nas músicas, Sérgio ‘Pidá' incitava ainda mais à violência, em especial nos Ultra Ribeira, que integram a claque do FC Porto Super Dragões. Criou mesmo uma música para ‘Macaco', o líder do grupo, em que apela a ataques brutais contra outros grupos do mundo do futebol.
"Os Ultra Ribeira são os mais perigosos. Aqui é assim, passam-se cenas ilegais. Podes ser No Name Boys, Juve Leo, mas também cais", canta numa das músicas, que se tornou quase um verdadeiro hino dos Super Dragões.
Sérgio ‘Pidá', de 19 anos, está em liberdade, sujeito a apresentações periódicas na PSP. Tal como ele, mais 15 cúmplices foram apanhados. A maioria pertence à claque do FC Porto e nem o facto de estarem indiciados por crimes violentos os impede de continuarem nos Super Dragões. Aliás, a violência e o crime parecem ser palavras de ordem nos Ultra Ribeira.
"Na Ribeira, já se nasce dragão. De brinco na orelha e de fugante [arma de fogo] na mão", ouve-se na mesma música, criada para Fernando Madureira.
Na canção, um dos temas principais dos F-Unit, grupo de rap do qual faz parte Sérgio ‘Pidá', Fernando Madureira é intitulado como líder, que controla toda a zona da Ribeira.
"Ele é o Fernando Madureira, controla os Ultra Ribeira. Aqui quem entra não sai, quem vacila cai", diz o refrão da canção.
Bruno ‘Pidá', primo de Sérgio, é também referido na mesma música.
Aliás, a canção diz inclusivamente que a segurança da Ribeira está entregue ao ‘Killer' [assassino] - numa alusão ao líder do gang da Ribeira, que actualmente cumpre pena de prisão pelo homicídio do segurança Ilídio Correia.
"SÃO VIVEIROS DO CRIME"
A discussão em torno das claques e do facto de muitos dos seus membros terem cadastro dura há vários anos. São muitas as figuras do meio do futebol que defendem que jovens com antecedentes criminais por crimes graves não devem integrar tais grupos, mas até hoje nada foi feito nesse sentido.
Em Julho do ano passado, Maria José Morgado, directora do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, considerou mesmo que as claques "são viveiros do crime" e criticou a Federação Portuguesa de Futebol pela sua inércia face à situação.
"A arquitectura criada pela lei contra a violência não funciona, não tem funcionado, um pouco por inércia da Liga e da Federação, mas também devido à ausência de uma política criminal nesta área e à jurisprudência em contexto de violência desportiva", disse a directora do DIAP.
Para todos os jogos de futebol são destacados dezenas de agentes da PSP. Existe um grande reforço das forças das autoridades quando se trata de jogos mais importantes e em que se prevê que haja um maior confronto entre claques. Agentes da polícia, que costumam acompanhar os jogos, classificaram a festa do título do Benfica em 2010 como um dos momentos mais críticos e difíceis de controlar.
DEU PROTECÇÃO A PINTO DA COSTA
As ligações da família ‘Pidá' ao FC Porto são já muito antigas. Bruno ‘Pidá' era um dos melhores amigos de Fernando Madureira e chegou mesmo a proteger o presidente Pinto da Costa. Em 2004, Bruno ‘Pidá' surgiu atrás do líder portista,
à entrada do Tribunal de Gondomar, como um dos elementos da sua segurança. Foi no dia em que Pinto da Costa foi interrogado em tribunal no caso ‘Apito Dourado'.
ATACAVAM QUASE SEMPRE MENORES
Sérgio ‘Pidá' e os restantes cúmplices escolhiam de preferência menores que se encontrassem sozinhos nas ruas da baixa do Porto.



Fonte da Notícia: CORREIO DA MANHÃ



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